domingo, 7 de agosto de 2011

Educação básica, um direito assegurado por lei


         A promulgação da LDB 9.394/96 foi um avanço para a educação básica brasileira, principalmente quando falamos do seu Art. 2 que prevê uma educação pautada pelo direito ao exercício da cidadania. A final é para termos uma vida melhor que frequentamos a escola. Aprendemos a ler e a escrever para nos apropriarmos de todo conhecimento histórico e cultural construído até aqui. É para nos tornarmos cidadãos, possuidores de direitos e deveres que vamos à escola. No entanto, nem sempre a instituição atende os requisitos do Art.2, sem cumprir seu papel como agente de transformação social. Pois, por vezes ela reproduz as mazelas da sociedade capitalista quando não acolhe a todos, deixando os alunos a margem de uma vida mais digna.
Sabemos que o percurso pelo qual passou a educação apresentou muitos avanços e alguns retrocessos, muitas foram as correntes ideológicas que guiaram os currículos até a contemporaneidade. Por vezes tivemos uma educação centrada ora no professor, ora no aluno. Ora o aluno era sujeito, ora objeto. É verdade que avançamos muito, não apenas em termos de legislação, mas na qualidade da educação, hoje a lei assegura não apenas formação superior, como também continuada para que o professor desenvolva competências e habilidades para a formação integral do sujeito.
Mas devemos frisar que só a lei não garante uma educação básica que dignifique o educando, é preciso ações afirmativas e políticas públicas. Em pleno século XXI a evasão escolar e as taxas de analfabetismo funcional ainda preocupam muito e revelam as contradições sociais presentes na educação básica. Os desafios educacionais ainda são grandes. Dentro de uma visão freireana, o professor deve assumir-se como profissional libertador, assim teremos condições de diminuir a distância entre aquilo que a lei institui e aquilo que fazemos na prática.
Por Luciana de Castro Regis

sábado, 11 de junho de 2011

Adultos em miniatura




Nos séculos passados, as crianças eram consideradas adultos em miniatura, vestiam-se e trabalhavam como adultos. Não existia infância e as exigências impostas aos adultos eram as mesmas dos pequeninos. O discurso do pensador francês, Jean Jacques Rousseau de que “as crianças não são adultos em miniatura”, influenciou muito para as mudanças nos séculos que se seguiriam, ampliando as discussões na esfera educacional e familiar, e viabilizando leis que ao longo do tempo foram regulamentando seus direitos. Contudo, na contemporaneidade observamos uma subversão de valores impostos aos pequenos, que desde muito cedo convivem com um novo mundo permeado pelas mídias e o crescente consumismo. Mundo esse, inteiramente diferente do de nossos avós, não fosse pelo fato das crianças perderem novamente sua infância. Mas dessa vez o vilão não é a rigidez dos usos e costumes da época, e sim a falta de sensatez e lucidez de um sistema puramente capitalista.
Sistema em que o lema é adquirir para então descartar, onde a necessidade confunde-se com o desejo de posse. Se a vida se faz na experiência entre o nascimento e a morte, e nesse intervalo de tempo nos debatemos entre o ser e o ter, pois algo em nossa essência nos diz que temos potencial para ser plenos, mas o mundo a que viemos nos diz constantemente que só seremos plenos se possuirmos tal objeto, se satisfizermos a volúpia do desejo. A mídia se especializa em criar desejos, falsas necessidades. Não bastássemos nós adultos sermos alvo do capitalismo, nossas crianças já nascem rotuladas com o título de consumidoras em potencial. Ralph Waldo Emerson diz que o desafio na atualidade é “manter sua personalidade num mundo que diz constantemente que você deve ser outra coisa”.
Se em nossos discursos afirmamos que tudo o que queremos é ser, por que nossas crianças são estimuladas a ter? Ao presentearmos nossos filhos com uma Barbie, podemos estar despertando o “monstro” chamado consumismo. Segundo Rubem Alves, “a Barbie é uma bruxa”, em tese podemos concordar que essa boneca de plástico é o retrato da infelicidade, de um querer e um ter insaciáveis, Os veículos publicitários reforçam essa ideia lançando no mercado produtos destinados a esse alvo. Assim, vemos garotinhas, Barbies personificadas, vestindo-se como mulheres adultas, maquiando-se excessivamente, perdendo a inocência. Por sorte, países como a Suécia já adotaram a proibição e restrição de propagandas dirigidas ao público infantil, inclusive as embalagens devem ser neutras a fim de não incitar o consumo. Certamente um belo exemplo a ser abraçado.
O que nos leva ao ponto de que tudo o que precisamos é um pequeno movimento em cada um de nós para desmistificar práticas tão latentes dentro de nossos lares. Do contrário devemos temer pelo perfil de nossas crianças, que perpetuam o adulto miniaturizado em pleno século XXI, nutrido e cevado pelo sistema onde o ter sobrepuja o ser. Edgar Morin disse que “viver exige, de cada um, lucidez e compreensão ao mesmo tempo, e, mais amplamente, a mobilização de todas as aptidões humanas”. Somente educadores, mães e pais lúcidos darão conta de fazer os enfrentamentos necessários para resgatar a infância de nossas crianças.
                                               Por Luciana de Castro Regis

Uma nova forma de ler




Tempos modernos esses que nossos olhos parecem timidamente de soslaio contemplar. Estaríamos tão ultrapassados a ponto de não acreditar na concretude dos fatos? Tudo parece ter mudado drasticamente, tão inesperado, inconstante e aterrador. Não bastassem todas as revoluções nas esferas sociais causadas pelas novas tecnologias, somos convocados a participar, pois num mundo globalizado pela internet quem não se moderniza corre risco de ser ‘extinto’, excluído. Sejamos francos, o novo sempre nos causa estranhamento, nesse ponto somos extremamente conservadores e evitamos as mudanças, tememos a desestabilização, gostamos de saber onde pisam nossos pés.
 A internet interliga mundos e rompe as barreiras socioculturais, ao mesmo tempo em que ela fragmenta as identidades dos sujeitos ela também cria uma espécie de multicultura e democratiza a informação. E é nesse contexto que surgem os e-books como um dos divisores de águas separando a geração tecnologizada da geração passada. Os amantes literários veem o objeto livro ameaçado de extinção. A polêmica instaurada entre e-book e livro impresso alimenta os debates não apenas no meio literário, mas fora dele, nos leitores fervorosos. Como admitir que outro assuma o status do eterno e bom livro de cabeceira? Tamanha presunção obscurece nosso olhar para as possibilidades que se desenham, para as vantagens que os livros eletrônicos parecem oferecer. Deveríamos olhar para essa situação com o distanciamento que ela merece, e falo não no sentido de um olhar ‘frio’, mas ponderado, disposto a considerar suas possibilidades. O manuseio de um Kindle ou um Tablet tem a capacidade de empolgar os críticos mais convictos, assim Coutinho anuncia em sua crônica pelo fato de ser terrivelmente contra essa nova forma de ler em pixels, e depois acaba por render-se ao encantamento dessa plataforma, mas era convicto demais para admitir, passando a dissimular o frenesi dessa nova paixão, sentiu-se um traidor, teria Gutenberg se revirado no tumulo? Embora Coutinho esclareça que haverá livros que ele desejará possuir, podemos entender com isso que ele acredita que o livro impresso não será suprimido. Para Italo Calvino, uma crônica sempre será uma crônica, não importa onde esteja escrita, se em pixels, bits ou impressos em papel. Já, Saramago olha para esse novo mundo e preocupa-se não com a possibilidade do livro impresso vir a desaparecer, mas sua atenção volta-se para a possibilidade da curiosidade, que sempre moveu o homem, vir a extinguir-se. Saramago, embora reconheça essa nova esfera literária, acredita que sempre será preciso imprimir o que se escreveu.
Minha relação com os livros não é diferente. Já me senti assim como Coutinho. Sou tátil, gosto de acariciar o objeto livro, sentir a textura ‘listrada’, como nesse último livro que li “O menino do pijama listrado”, recostá-lo no peito num longo suspiro. Por outro lado, não vejo o e-book como ameaça, o vejo como uma nova possibilidade. Há um mistério que circunda esse momento histórico que vivemos, a contemplação de um universo novo, com outros aromas, gostos e cores múltiplas. Os e-books são antes de tudo extremamente visuais, atraentes nas formas e parecem interagir conosco de um jeito diferente. Vejo a leitura e a escrita com dinamicidade, as formas de ler e escrever se modificaram muito com o tempo, se antes de Gutenberg o livro era objeto exclusivo para poucos, e depois disso ele popularizou-se, hoje podemos dizer praticamente que só não lê quem realmente não quer, tamanha é a quantidade de meios disponíveis. Há mais ou menos um ano tive contato com meu primeiro e-book, e lembro-me de ficar fascinada.
Concordo com os autores, em especial com Calvino, para mim não importa a plataforma, desde que se escreva e se leia, na essência essas esferas são expressões da alma humana. Morada das palavras. Gosto muito de ler e ouvir histórias, embora não tive em minha vida muitos contadores de histórias, ao menos até ir para a escola. Lembro que uma vez ganhei de presente um disco de vinil com os contos clássicos, e passava horas e horas, arrebatada de prazer que os contos me despertavam, eu viajava sem sair do lugar. As histórias sempre alimentaram minha vida, recordo-me de sonhar com a casa feita de doces de Maria e João e mais tarde na minha adolescência realizar o sonho antigo quando ganhei num sorteio uma casa de uns 4 metros quadrados, coberta de bombons ouro branco e sonho de valsa. Recordo-me de estar em meio aos livros na livraria em que trabalhava, quando o autor daquele livro específico que eu segurava nas mãos entrou pela porta da livraria, e dois anos mais tarde ele viria a ser meu príncipe encantado. Contos de fada que tornar-se-iam realidade. Não sou profunda conhecedora de literatura, minha relação com a leitura é de prazer simplesmente, leio o que tenho vontade e às vezes o que preciso. Conto histórias e canto cantigas para meu filho desde antes dele nascer.
Ler é viajar, é tecer a vida com outros tons, seja nos ecrãs do computador ou em afeltrado de fibras. Cada um a sua maneira representa um tempo histórico. Mas que na essência são o mesmo: Palavras. Nada se perde, tudo se transforma, é a lei de Lavoisier. O maior desafio que a modernidade nos apresenta é superar o (pré) conceito arraigado pelos velhos métodos e aprender olhar o novo com olhos do momento histórico atual, só assim será possível manter acesa a curiosidade de decifrar pixels, bits, megabits e sabe-se lá o que ainda vão reinventar.

Por Luciana de Castro Regis

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Consumir ou não consumir? Eis a questão!


Cotidianamente parafraseamos a tragédia shakespeariana: Consumir ou não consumir? Eis a questão! Tal dicotomia de pensamento devasta nossas mentes continuamente. Na verdade não sei se vivemos uma nova ordem mundial, ou se estamos na contramão do sistema.  Existimos em uma sociedade em que o ter ultrapassa o ser. Campanhas publicitárias se especializam em despertar o desejo, a cobiça, instituem a ideia de que todos os problemas serão resolvidos apenas se consumirmos. Somos instigados a comprar coisas que muitas vezes não necessitamos. Aparelhos cada vez mais modernos que compramos e que com a mesma frequência descartamos. Disputamos com o outro o melhor status e não nos preocupamos que enquanto nos deliciamos com as coisas, há gente pagando com a própria vida. Assim, deturpamos os princípios de moralidade que nossa sociedade deveria embandeirar.
 Por que necessitamos de tudo isso? Por que consumimos tanto? O que faz a máquina do consumo se mover? Talvez essas perguntas devessem ser respondidas pelos verdadeiros responsáveis por essa máquina e pelo sistema.  Mas quem são os culpados? Para uns o sistema é bom, nós que não sabemos usá-lo. Para outros o sistema não é tão bom assim, mas se alguém o fez assim deixa como está. E acomodados ficamos, e os dias passam e as catástrofes ambientais estampam os jornais. No entanto, enquanto a tragédia não bate a nossa porta, levamos nossa vidinha numa boa, como se não fosse problema nosso. Consumimos a vida, retroalimentamos nosso desejo absurdo e mesquinho de sempre possuir mais alguma coisa, como se a vida fosse infinita como o é nossa avareza. Enredamo-nos num ciclo vicioso que parece não ter fim e acabamos exaustos, sem tempo, endividados para manter viva a roda da fortuna. Em nossas filosofias ostentamos a demagogia de que somos seres em constante evolução. Mas às vezes me pergunto se tal ‘progresso’ (ou seria melhor usar retrocesso?) não está ligado à inversão de muitos valores que temos perdido com a chamada “modernidade”. Me sinto na contramão, tudo parece estar péssimo.  Será que sou pessimista? Ou quem sabe a ‘ovelha negra da família’? Por favor, pensem ao meu lado
Vejam bem, nosso mundo não é uma página em branco onde vamos escrevendo o rumo das coisas que vamos fazer, pelo contrário, tudo é friamente pensado, premeditado, predeterminado, e nós fazemos parte desse sistema. Assim, o que vivemos hoje pode ser reflexo do que planejamos ontem. Um exemplo básico são alguns de nossos governantes, que ganham um salário digníssimo de alguns mil reais por mês (para não dizer milhões), enquanto um professor do Nordeste brasileiro não chega a ganhar míseros R$ 600,00! Mas faz parte do sistema, afinal ser professor é um ato de amor, não é mesmo? Sem falar quando a mão de obra de trabalhadores nas empresas lhes paga um salário de fome, tudo para satisfazer o sistema, ou quando nosso ar é poluído pelos gases tóxicos expelidos nos quatro cantos do mundo, ou quando os peixes de nossos rios morrem porque uma empresa depositou lixo tóxico em nossas nascentes. Outro exemplo é quando uma floresta inteira é devastada para satisfazer o sistema. Ah! Mas espera um pouquinho: - Eles reflorestam tirando árvores centenárias para plantar mais ou menos um canteiro de eucaliptos. Acho que deve dar menos sujeira porque agora a moda é o clean!
O que devemos perceber é que muitas vezes as pessoas que geram o sistema não pensam naqueles que vivem no sistema, pelo contrário pensam nos lucros que podem ter independentemente das consequências. Isso gera inúmeros problemas sociais e ambientais.  Enquanto estamos alienados comprando coisas inúteis, que mais tarde serão lixo, e estes se tornarão o caos em que vivemos hoje, a natureza e as pessoas pagam com a vida por falta de planejamento, de conhecimento, de verdade! Basta de sermos ovelhinhas do sistema. Precisamos nos posicionar! Afinal vivemos em um planeta finito que agoniza os reflexos de nossa prática. E então, você ainda vai se debater entre a dicotomia? Consumirás vorazmente a vida?

Por Luciana de Castro Regis.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Memórias de leituras


Passeando pelos corredores da biblioteca municipal, vejo tantos livros nas estantes, alguns surrados, envelhecidos pelo tempo e outros empoeirados. Tive a impressão que há muito tempo não são abertos... quase cheiram a ‘naftalina’. Nas prateleiras alguns livros novos convidando os olhos para uma aventura.
Enquanto leio “Biblioteca Verde” de Carlos Drummond de Andrade, construo o cenário no meu imaginário...
“Mas leio, leio. Em filosofias
tropeço e caio, cavalgo de novo
meu verde livro, em cavalarias
me perco, medievo; em contos, poemas
me vejo viver. Como te devoro,
verde pastagem. Ou antes carruagem
de fugir de mim e me trazer de volta
à casa a qualquer hora num fechar
de páginas?

Tudo que sei é ela que me ensina.
O que saberei, o que não saberei
nunca,
está na Biblioteca em verde murmúrio
de flauta-percalina eternamente.”

Fico pensando se talvez essa tenha sido uma experiência de sua infância e assim lembrei-me da minha...
 Viajo agora, nos corredores da minha infância sem livros. Em minha casa o único livro que entrava eram as escrituras: A Bíblia. Este eu lia para entender coisas do ‘além’, e quem disse que entendia alguma coisa? Quanto mais eu lia mais perguntas eu fazia. Quem dera eu tivesse tido a experiência de alguém que lê-se uma história antes de dormir.  As histórias que ouvia eram sempre na escola dominical, nos domingos de manhã... ainda lembro-me delas,  de ficar espantada com algumas... aquela de um homem de nome Jonas que havia passado 3 dias e 3 noites na barriga do grande peixe. Como era isto possível? Ninguém nunca me disse que aquela história era uma metáfora, talvez porque eu não entenderia ou por acreditarem que era real.
No entanto, a experiência mais fascinante que tive com os livros, foi quando eu tinha uns 3 anos. Na escola maternal... o primeiro dia do conto, numa sala especial, repleta de almofadas, com uma luz suave. Havia todo um clima especial para a história que seria contada. E sabem quem contou a história? Eu pensei que seria a professora, mas foi o Lobo Mau e a Chapeuzinho Vermelho... foi tão significativo que não esqueci jamais. A história havia criado vida... não eram apenas letras no papel.
Mais tarde, infelizmente, não houve mais personagens significativos na minha vida... A não ser os personagens de Lobato no Sítio do Pica Pau Amarelo. Quando chegou o ensino médio então, ler era um tédio, verdadeira obrigação para fazer um resumo, responder um questionário.  Comecei a gostar de ler depois de casada, influenciada pelo meu marido que é escritor e ama a literatura. Mas foi lendo Rubem Alves que me apaixonei pelos livros e comecei também a escrever alguns devaneios. As leituras que fiz afloraram meus sentidos para perceber e significar o mundo. Aos poucos descobri que eu poderia colocar no papel meus sentimentos, minhas percepções.  
Ultimamente leio muito livros relacionados à educação, alguns monótonos leio por obrigação, mas outros é puro prazer que chego ler uma, duas, três vezes...  Enfim, ler é levantar hipóteses, é descobrir outro mundo, é viajar, sonhar, alimentar o corpo que anseia por essa experiência. Ler é dialogar com o texto, e é isto que acho fantástico na linguagem escrita, ela tem o ‘poder’ de tirar-nos de nós, num abrir e fechar de páginas como o próprio Drummond escreveu.
Leio para perder-me... e para encontrar-me em mim mesma.
Escrevo para conhecer-me .
 Luciana de Castro Regis

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Aprender


Desde muito pequena ensinaram-me que eu iria aprender.
Aprender a pegar as coisas com as mãos.
Aprender a andar com as próprias pernas.
Disseram-me que eu aprenderia a falar aquela língua estranha.
Quando fui para a escola ensinaram-me que eu também aprenderia a desenhar aqueles símbolos repletos de voltas, aprenderia a ler e escrever... E quem sabe se eu aprendesse tudo direitinho um dia também poderia ensinar.
Parece que estavam certos, aprendi muitas coisas, esqueci-me de algumas...
Ensinaram-me tanto, porém não recordo-me de algum dia terem me ensinado a aprender.
Porque ao contrário do que se imagina, aprender requer aprendizagem e muitas vezes requer desaprender!
Depois de grande descobri sozinha que quanto mais se aprende, mais se precisa aprender a aprender!


By Luciana de Castro Regis

sexta-feira, 25 de março de 2011

O Ensino de Ciências no século XXI


       
       

       
       O ínicio da ciência se deu nas observações do homem, quando este tentava entender os fenômenos da natureza. Estas observações abriram espaço para os conceitos existentes hoje, ciêntíficos, físicos, filosóficos, astronômicos e matemáticos. Enfim todas as disciplinas vigentes tiveram origem nestas observações.


       Mas, quando falamos de ciência, nos vêm à mente nomes como Newton, Aristóteles, considerado o grande pai da ciência, Darwin e tantos outros que sem sombra de dúvida são precursores da maioria das disciplinas estudadas atualmente. Mas será que ciência é só para poucos 'entendidos'?

        A ciência está muito mais perto do que estes grandes nomes nos umbrais da História, ela faz parte do cotidiano, nas relações do homem com a natureza.
        A ciência pode ser entendida como uma linguagem forjada por homens e mulheres comuns na intenção de explicar esse nosso mundo natural. Para Piaget e Rabelo, o conhecimento se constrói da “interação entre sujeito e objeto”, onde os dois estão em constante mutação, não havendo “verdades absolutas na ciência”, mas sim verdades provisórias.
        Por muito tempo se estendeu o mito de que a ciência limitava-se ao mundo dos cientistas, ficando esta restrita a poucos intelectuais. Somente após a Revolução Industrial com reflexos pelo mundo todo no século XIX que o sentido de ciência passou por uma ressignificação, trazendo discussões das implicações da ação do homem no meio ambiente.
        Em pleno século XXI a ciência continua revolucionando, andando por mares ainda não navegados. Esse poder que a ciência detém nos assusta, e assusta mais ainda o controle (ou a falta dele) por trás da ciência, tudo gira no entorno do capitalismo. A capa da revista Galileu (Julho, 2010) “Uma cura para os seus medos”, gerou polêmicas, pois segundo a matéria- falta pouco para os cientistas criarem um remédio que eliminará as memórias traumáticas. Mas seria sensata tal iniciativa? O neurocientista Ivan Izquierdo adverte que “se não lembrarmos do que nos faz mal, acabamos nos colocando em situação de perigo.” Apagar uma memória ruim seria apagar o aprendizado que ela nos trouxe. 

       Mas o que tudo isso têm haver com o ensino de ciências? Explico: A reflexão que quero trazer é de voltar nossos olhos para o conjunto da 'ópera', e aí entra novamente a interdisciplinaridade como uma possibilidade de integrar o 'homem'. Não somos fragmentados, somos inteiros. Então por que o ensino muitas vezes é visto de forma fragmentada?
       A disciplina fragmentada dificilmente obterá respostas aos problemas atuais. Somente através do diálogo com o colegiado forjaremos a chave que abre as portas certas, contribuindo para o desenvolvimento do sujeito integral.

       Mas para tal empreendimento será preciso estar dispostos a mudar nosso modo de agir. E ver o mundo a partir de conteúdos vinculados ao cotidiano, valorizando os saberes de nossos alunos, e avançando no conhecimento científico. 
       Envolvê-los afetivamente na construção do conhecimento, aumenta significativamente as chances de obter sucesso na aprendizagem.
       Fica aí um lembrete para todos nós educadores: “num diálogo ninguém tenta vencer. Se alguém ganha, todos ganham. Há um espírito diferente. Não há tentativas de ganhar pontos ou fazer prevalecer visões de mundo individuais. Em lugar disso sempre que um erro é descoberto por alguém, todo mundo ganha” (David Bohm).
       E é isso aí nos vemos num próximo capítulo!

                                                                                        By Luciana de Castro Regis