Cotidianamente parafraseamos a tragédia shakespeariana: Consumir ou não consumir? Eis a questão! Tal dicotomia de pensamento devasta nossas mentes continuamente. Na verdade não sei se vivemos uma nova ordem mundial, ou se estamos na contramão do sistema. Existimos em uma sociedade em que o ter ultrapassa o ser. Campanhas publicitárias se especializam em despertar o desejo, a cobiça, instituem a ideia de que todos os problemas serão resolvidos apenas se consumirmos. Somos instigados a comprar coisas que muitas vezes não necessitamos. Aparelhos cada vez mais modernos que compramos e que com a mesma frequência descartamos. Disputamos com o outro o melhor status e não nos preocupamos que enquanto nos deliciamos com as coisas, há gente pagando com a própria vida. Assim, deturpamos os princípios de moralidade que nossa sociedade deveria embandeirar.
Por que necessitamos de tudo isso? Por que consumimos tanto? O que faz a máquina do consumo se mover? Talvez essas perguntas devessem ser respondidas pelos verdadeiros responsáveis por essa máquina e pelo sistema. Mas quem são os culpados? Para uns o sistema é bom, nós que não sabemos usá-lo. Para outros o sistema não é tão bom assim, mas se alguém o fez assim deixa como está. E acomodados ficamos, e os dias passam e as catástrofes ambientais estampam os jornais. No entanto, enquanto a tragédia não bate a nossa porta, levamos nossa vidinha numa boa, como se não fosse problema nosso. Consumimos a vida, retroalimentamos nosso desejo absurdo e mesquinho de sempre possuir mais alguma coisa, como se a vida fosse infinita como o é nossa avareza. Enredamo-nos num ciclo vicioso que parece não ter fim e acabamos exaustos, sem tempo, endividados para manter viva a roda da fortuna. Em nossas filosofias ostentamos a demagogia de que somos seres em constante evolução. Mas às vezes me pergunto se tal ‘progresso’ (ou seria melhor usar retrocesso?) não está ligado à inversão de muitos valores que temos perdido com a chamada “modernidade”. Me sinto na contramão, tudo parece estar péssimo. Será que sou pessimista? Ou quem sabe a ‘ovelha negra da família’? Por favor, pensem ao meu ladoḷ
Vejam bem, nosso mundo não é uma página em branco onde vamos escrevendo o rumo das coisas que vamos fazer, pelo contrário, tudo é friamente pensado, premeditado, predeterminado, e nós fazemos parte desse sistema. Assim, o que vivemos hoje pode ser reflexo do que planejamos ontem. Um exemplo básico são alguns de nossos governantes, que ganham um salário digníssimo de alguns mil reais por mês (para não dizer milhões), enquanto um professor do Nordeste brasileiro não chega a ganhar míseros R$ 600,00! Mas faz parte do sistema, afinal ser professor é um ato de amor, não é mesmo? Sem falar quando a mão de obra de trabalhadores nas empresas lhes paga um salário de fome, tudo para satisfazer o sistema, ou quando nosso ar é poluído pelos gases tóxicos expelidos nos quatro cantos do mundo, ou quando os peixes de nossos rios morrem porque uma empresa depositou lixo tóxico em nossas nascentes. Outro exemplo é quando uma floresta inteira é devastada para satisfazer o sistema. Ah! Mas espera um pouquinho: - Eles reflorestam tirando árvores centenárias para plantar mais ou menos um canteiro de eucaliptos. Acho que deve dar menos sujeira porque agora a moda é o clean!
O que devemos perceber é que muitas vezes as pessoas que geram o sistema não pensam naqueles que vivem no sistema, pelo contrário pensam nos lucros que podem ter independentemente das consequências. Isso gera inúmeros problemas sociais e ambientais. Enquanto estamos alienados comprando coisas inúteis, que mais tarde serão lixo, e estes se tornarão o caos em que vivemos hoje, a natureza e as pessoas pagam com a vida por falta de planejamento, de conhecimento, de verdade! Basta de sermos ovelhinhas do sistema. Precisamos nos posicionar! Afinal vivemos em um planeta finito que agoniza os reflexos de nossa prática. E então, você ainda vai se debater entre a dicotomia? Consumirás vorazmente a vida?
Por Luciana de Castro Regis.
Por Luciana de Castro Regis.

Nenhum comentário:
Postar um comentário