sexta-feira, 25 de março de 2011

O Ensino de Ciências no século XXI


       
       

       
       O ínicio da ciência se deu nas observações do homem, quando este tentava entender os fenômenos da natureza. Estas observações abriram espaço para os conceitos existentes hoje, ciêntíficos, físicos, filosóficos, astronômicos e matemáticos. Enfim todas as disciplinas vigentes tiveram origem nestas observações.


       Mas, quando falamos de ciência, nos vêm à mente nomes como Newton, Aristóteles, considerado o grande pai da ciência, Darwin e tantos outros que sem sombra de dúvida são precursores da maioria das disciplinas estudadas atualmente. Mas será que ciência é só para poucos 'entendidos'?

        A ciência está muito mais perto do que estes grandes nomes nos umbrais da História, ela faz parte do cotidiano, nas relações do homem com a natureza.
        A ciência pode ser entendida como uma linguagem forjada por homens e mulheres comuns na intenção de explicar esse nosso mundo natural. Para Piaget e Rabelo, o conhecimento se constrói da “interação entre sujeito e objeto”, onde os dois estão em constante mutação, não havendo “verdades absolutas na ciência”, mas sim verdades provisórias.
        Por muito tempo se estendeu o mito de que a ciência limitava-se ao mundo dos cientistas, ficando esta restrita a poucos intelectuais. Somente após a Revolução Industrial com reflexos pelo mundo todo no século XIX que o sentido de ciência passou por uma ressignificação, trazendo discussões das implicações da ação do homem no meio ambiente.
        Em pleno século XXI a ciência continua revolucionando, andando por mares ainda não navegados. Esse poder que a ciência detém nos assusta, e assusta mais ainda o controle (ou a falta dele) por trás da ciência, tudo gira no entorno do capitalismo. A capa da revista Galileu (Julho, 2010) “Uma cura para os seus medos”, gerou polêmicas, pois segundo a matéria- falta pouco para os cientistas criarem um remédio que eliminará as memórias traumáticas. Mas seria sensata tal iniciativa? O neurocientista Ivan Izquierdo adverte que “se não lembrarmos do que nos faz mal, acabamos nos colocando em situação de perigo.” Apagar uma memória ruim seria apagar o aprendizado que ela nos trouxe. 

       Mas o que tudo isso têm haver com o ensino de ciências? Explico: A reflexão que quero trazer é de voltar nossos olhos para o conjunto da 'ópera', e aí entra novamente a interdisciplinaridade como uma possibilidade de integrar o 'homem'. Não somos fragmentados, somos inteiros. Então por que o ensino muitas vezes é visto de forma fragmentada?
       A disciplina fragmentada dificilmente obterá respostas aos problemas atuais. Somente através do diálogo com o colegiado forjaremos a chave que abre as portas certas, contribuindo para o desenvolvimento do sujeito integral.

       Mas para tal empreendimento será preciso estar dispostos a mudar nosso modo de agir. E ver o mundo a partir de conteúdos vinculados ao cotidiano, valorizando os saberes de nossos alunos, e avançando no conhecimento científico. 
       Envolvê-los afetivamente na construção do conhecimento, aumenta significativamente as chances de obter sucesso na aprendizagem.
       Fica aí um lembrete para todos nós educadores: “num diálogo ninguém tenta vencer. Se alguém ganha, todos ganham. Há um espírito diferente. Não há tentativas de ganhar pontos ou fazer prevalecer visões de mundo individuais. Em lugar disso sempre que um erro é descoberto por alguém, todo mundo ganha” (David Bohm).
       E é isso aí nos vemos num próximo capítulo!

                                                                                        By Luciana de Castro Regis                

quarta-feira, 23 de março de 2011

Interdisciplinaridade e o ensino de Ciências

       
        Desvendar os mistérios do homem e da natureza sempre nos atraiu. Nesse sentido o papel das ciências no ensino fundamental é ser “espaço privilegiado onde as diferentes explicações sobre o mundo, os fenômenos da natureza e as transformações produzidas pelo homem podem ser expostas e comparadas” [1].
        A ciência por influência do positivismo foi mitificada, segundo Barreto (Salles, 2007, p.56) o ensino de Ciências tinha o professor como expositor e o aluno receptor, as atividades não passavam de cópia dos livros. Foi somente após a Revolução Industrial que o ensino de ciências com vistas à formação do pequeno cientista aderiu ao método da investigação e experimentação. Já em 1950 e 1960 o ensino, “refletia a situação do mundo após a Segunda Guerra Mundial” (Salles, 2007, p.57).
        No Brasil, por volta de 1950 fundou-se o Ibecc, visando melhorar o ensino de ciências e a formação específica dessa área, mas o ensino limitava-se a repetição e memorização, havia um espaçamento grande entre teoria e prática. Então, em 1960 o ensino voltou-se para a experimentação através do método científico, nesta fase “o professor pela primeira vez é visto como figura participante do processo de Ensino-Aprendizagem” (Salles, 2007, p.61).
         Em 1980 o ensino recebeu influência da psicologia cognitivista e passou a contemplar questões sociais. Até que por volta de 1990 o ensino de ciências assinalou a importância de equilibrar a relação do homem com a natureza.  A partir daí, desmistificar a ciência mostrando que ela faz parte do cotidiano tornou-se prioridade.
        O ensino de ciências passou a valorizar um currículo flexível objetivando a alfabetização científica, mas sem desmerecer o conhecimento prévio. E o aluno é visto como autor de sua aprendizagem, o que “significa afirmar que é dele o movimento de ressignificar o mundo” [2], e a interdisciplinaridade entrou em pauta como um possível caminho para enriquecer o ensino.
        O homem deixou de ser o centro do universo para tomar consciência de que Tudo o que acontecer à terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tece a teia da vida: é antes, um de seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si mesmo" (Chefe Seattle, 1855).


[1] PCNs ciências naturais.
[2] PCNs ciências naturais.

By Luciana de Castro Regis

Interdisciplinaridade: Um caminho feito a muitas mãos!


        Para entender o que é interdisciplinaridade e o que ela implica recorremos às palavras de Ivani Fazenda, uma das maiores especialistas no assunto:

(...), pois interdisciplinaridade não se ensina, nem se aprende, apenas vive-se, exerce-se. Interdisciplinaridade exige um engajamento pessoal de cada um. Todo indivíduo engajado nesse processo será o aprendiz, mas, na medida em que familiarizar-se com as técnicas e quesitos básicos, o criador de novas estruturas, novos conteúdos, novos métodos, será motor de transformação.
(Fazenda, 1979, p. 56)

        Embora muitos educadores concordem com o conceito de interdisciplinaridade, o que se vê por aí anda bem longe de ter esse caráter interdisciplinar, ou porque não se sabe como fazer ou porque demanda esforço em todos os âmbitos das relações. É preciso querer ser o aprendiz!
        O mundo globalizado exige do homem uma postura diferente. As crianças hoje, com tenra idade, utilizam a internet como ferramenta básica, elas têm até mesmo amigos virtuais. “As velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno, até aqui visto como um sujeito unificado” [1]. Todas essas mudanças no nosso modo de vida fez brotar a necessidade de trabalharmos o homem como ser integrado.
        Sendo a escola um espaço de convívio e entrosamento das diferentes culturas, deve oportunizar o diálogo. Por isso um currículo que abrace o diálogo pode contribuir para o enriquecimento do Ensino-Aprendizagem, sobretudo quando pensamos no Ensino Fundamental, onde a base daquilo que seremos se fundamenta. A Educação torna-se indispensável, e será ela que colocará o homem no caminho do aprendizado contínuo.






[1]  (Couto, 2010, Apud Hall, p.61)


By Luciana de Castro Regis

A Estrada da Vida


        Somos todos caminhantes de uma mesma estrada, a estrada da vida. Nela se encerra toda a aventura e todo o mistério que havemos de experimentar. E embora damos cada passo sem saber quanto tempo e quanta força ainda temos para percorrê-la, jamais devemos trilhá-la sem nos dar conta dos anos idos, das oportunidades perdidas, dos sonhos que se desmancham nas águas do tempo.
        Às vezes, passamos tanto tempo remoendo o passado que o presente fica esquecido e o futuro, comprometido. Damos tanto valor aos que estão longe, ou aos que nem conhecemos, para deixar de lado aqueles que estão conosco.
        Outras vezes, viajamos nessa estrada carregando fardos pesados, preocupados com um futuro que nem ao certo sabemos se virá. Ocupamo-nos de tantas inutilidades, tomamos dores que não são nossas e assim os passos permanecem lentos. E parece que andamos,... andamos sem nunca chegar a lugar algum.
        Ou ainda, atravessamos a vida esperando que o outro sorria primeiro, que o outro peça perdão, que o outro, que o outro... Mas é interessante como preferimos ser os primeiros a atirar a pedra, como nos incomodamos com o cisco no olho do outro enquanto há uma trave muito maior bloqueando nossas vistas.
        A estrada está repleta de muitas perguntas e poucas respostas. Quem foi que estabeleceu as regras do que é certo, do que é errado, do que é bom ou mau? Quem foi que disse que o branco é branco? E por que não é preto? Quem deu nomes a essas coisas que aí estão? O que nos dá o direito de achar o que é certo para os outros?
        Não há um manual específico. A vivência traz consigo o conhecimento. Quando erramos temos a oportunidade da aprendizagem. Quando magoamos nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, às vezes nós também devemos nos perdoar. E, quando olhamos no espelho, descobrimos que não devemos fazer comparação com os outros, mas buscar em nós mesmos o melhor daquilo que podemos ser.
        Somos nós os andantes e cabe a cada um a responsabilidade por seus próprios passos. Então, em vez de percorrer essa estrada enchendo a nossa mochila de riquezas materiais que só fazem pesar e atrasar os passos, vamos cultivar relacionamentos com os demais companheiros de viagem baseados no amor verdadeiro, que é a maior das riquezas. O resto todo desaparece... Mas aquilo que fazemos com amor tem suas marcas. Nem mesmo o tempo é capaz de apagar. Empreguemos o tempo que nos resta para amar. Os deveres cotidianos não nos permitem? Pois criemos o tempo! Afinal o tempo é uma questão de escolhas.
        A vida que levamos é o resultado das escolhas que fazemos. Se escolhermos viver o Amor, então não importa quanto tempo ainda trilharemos por essas terras. Pois venha o que vier, teremos a certeza de que nossa vida não passou em branco. Pode até ser que não tenhamos realizado “grandes feitos”, mas nossa memória não será esquecida por aqueles a quem dedicamos um pouco de tempo, um pouco de amor, um pouco de vida!


By Luciana de Castro Regis

Navegar é exato... Educar não é!


       
        A frase: "Navegar é preciso, viver não é preciso", outrora pronunciada pelo general Pompeu (70 a.c) numa época de batalha e inconstância, e mais tarde lembrada pelo poeta italiano Petrarcha (1304-1374) e, recentemente imortalizada nos versos de Fernando Pessoa, ecoa em outras vozes, com o mesmo sentido, porém dentro de contextos distintos.
        Há quem acredite que é possível domar qualquer um com um punhado de regras.  Manuais com um amontoado de palavras prometem milagres aos educadores. Mas o que esses manuais não levam em conta é que cada ser é singular. Para perceber essas especificidades não é preciso ir muito longe, basta olhar ao nosso redor, nossa própria família. Cada filho é exclusivo, nenhum será igualzinho ao outro, e não falo das singularidades visuais apenas, cada um é um ser biopsicossocial. Bio por que somos seres vivos, como o próprio prefixo sugere. Psico por que há fenômenos mentais e emocionais relacionados à nossa psique, traços de nossa personalidade. E social porque somos gente e nos relacionamos com o outro na teia da vida.
        Portanto, educadores, pais, professores, avós e tios, têm que ter em mente que educar está sujeito às interferências dos educandos. Seus saberes culturais vividos serão partilhados e somados, contrariando a lógica matemática. Sendo assim, educar não pode ser exato.
        Assim como um navegador precisa fazer uso adequado de instrumentos para o sucesso da navegação. O educador precisa usar a cabeça e o coração. A cabeça porque é necessário buscar o conhecimento, e o coração para ponderar sobre a razão. Educar é um exercício complexo, apesar de não ser uma ciência exata como a matemática e a navegação. Educar é como plantar uma sementinha, na esperança de um dia vê-la florescer, é regá-la na medida, nem demais, nem de menos. É torcer que o tempo colabore. É dar tempo, sem com isso esmorecer. Uma pitada de amor, outra de compreensão. É estabelecer os limites, sem tornar-se exigente por demais. Ah, não podemos esquecer de que é preciso liberdade, no entanto uma liberdade assistida.
        Mas educar também pode ser um deslizamento incessante, porém à medida que colocamos nisso o nosso coração, torna-se evidente o surgimento de belos frutos.
Educar também pode ser comparado a um livro aberto, com páginas em branco. E o que nele escreveremos? Depende de cada um de nós... Palavras passíveis de serem lidas? O grande escritor português José Saramago dizia que “tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas”.
        E assim me despeço, com estas indagações, no desejo que elas provoquem em nós algumas inquietações. E espero sinceramente que os capítulos seguintes sejam escritos, não com tinta, mas com próprio sangue, e no folhear de suas páginas possamos ouvir o pulsar do coração e os risos daqueles que com amor aprenderam.

By Luciana de Castro Regis