Somos todos caminhantes de uma mesma estrada, a estrada da vida. Nela se encerra toda a aventura e todo o mistério que havemos de experimentar. E embora damos cada passo sem saber quanto tempo e quanta força ainda temos para percorrê-la, jamais devemos trilhá-la sem nos dar conta dos anos idos, das oportunidades perdidas, dos sonhos que se desmancham nas águas do tempo.
Às vezes, passamos tanto tempo remoendo o passado que o presente fica esquecido e o futuro, comprometido. Damos tanto valor aos que estão longe, ou aos que nem conhecemos, para deixar de lado aqueles que estão conosco.
Outras vezes, viajamos nessa estrada carregando fardos pesados, preocupados com um futuro que nem ao certo sabemos se virá. Ocupamo-nos de tantas inutilidades, tomamos dores que não são nossas e assim os passos permanecem lentos. E parece que andamos,... andamos sem nunca chegar a lugar algum.
Ou ainda, atravessamos a vida esperando que o outro sorria primeiro, que o outro peça perdão, que o outro, que o outro... Mas é interessante como preferimos ser os primeiros a atirar a pedra, como nos incomodamos com o cisco no olho do outro enquanto há uma trave muito maior bloqueando nossas vistas.
A estrada está repleta de muitas perguntas e poucas respostas. Quem foi que estabeleceu as regras do que é certo, do que é errado, do que é bom ou mau? Quem foi que disse que o branco é branco? E por que não é preto? Quem deu nomes a essas coisas que aí estão? O que nos dá o direito de achar o que é certo para os outros?
Não há um manual específico. A vivência traz consigo o conhecimento. Quando erramos temos a oportunidade da aprendizagem. Quando magoamos nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, às vezes nós também devemos nos perdoar. E, quando olhamos no espelho, descobrimos que não devemos fazer comparação com os outros, mas buscar em nós mesmos o melhor daquilo que podemos ser.
Somos nós os andantes e cabe a cada um a responsabilidade por seus próprios passos. Então, em vez de percorrer essa estrada enchendo a nossa mochila de riquezas materiais que só fazem pesar e atrasar os passos, vamos cultivar relacionamentos com os demais companheiros de viagem baseados no amor verdadeiro, que é a maior das riquezas. O resto todo desaparece... Mas aquilo que fazemos com amor tem suas marcas. Nem mesmo o tempo é capaz de apagar. Empreguemos o tempo que nos resta para amar. Os deveres cotidianos não nos permitem? Pois criemos o tempo! Afinal o tempo é uma questão de escolhas.
A vida que levamos é o resultado das escolhas que fazemos. Se escolhermos viver o Amor, então não importa quanto tempo ainda trilharemos por essas terras. Pois venha o que vier, teremos a certeza de que nossa vida não passou em branco. Pode até ser que não tenhamos realizado “grandes feitos”, mas nossa memória não será esquecida por aqueles a quem dedicamos um pouco de tempo, um pouco de amor, um pouco de vida!
By Luciana de Castro Regis

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